Segundo momento do Blog Terra y Praxis
Por Omar Blanco
O Blog começou com o objetivo de posicionar meu compromisso teórico e prático com a temática das moradias populares na periferia metropolitana e em outras regiões do Estado do Rio de Janeiro. Acredito que as matérias publicadas dão conta da prática e da Praxis.
O primeiro dos fatos que originaram um segundo momento do trabalho em publicar e ordenar minhas posições foi o evento Cúpula dos Povos. Este foi um evento internacional paralelo ao organizado pela ONU, Rio+20, no qual houve muitas polêmicas sobre moradia popular, com o viés de sustentabilidade ambiental. Não que esse tema faltasse anteriormente, só que agora, mais do que antes, a ideia de “totalidade social” volta a ganhar espaço contra as perspectivas de pensamento único que predominaram anteriormente.
Indicadores:
A Rio+20 concluiu que se constituirá uma comissão com trinta expertos que darão conta de dados que formem indicadores de sustentabilidade ambiental em prazo de três anos. Pode parecer muito longe, mas a realidade é que não interessa criar dados que sejam contraditórios à abrangência da sustentabilidade. Aqueles três anos serão usados para construir consensos e apresentar resultados parciais e positivos sobre dióxido de carbono e não sobre os desequilíbrios ambientais como a poluição derivada da metropolização da cada vez maior quantidade de cidades.
A conveniência de usar -ou não- dados pode ser mostrada pela presidente Dilma Rousseff, quando afirmou na 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente que “uma grande nação tem que ser medida por aquilo que faz por suas crianças e adolescentes, e não pelo Produto Interno Bruto [que tem].” Essa afirmação da presidente, que minimiza esses indicadores. Na verdade, os indicadores usados hoje são as políticas e os programas assistenciais (formadores de opinião positiva) que se puder noticiar e difundir massivamente pela mídia. Essa propaganda é usada para mostrar que a sociedade capitalista é sustentável, que as relações da atual sociedade com a natureza e com os mais pobres podem ser chamadas de “economia verde”.
Resultados
O resultado da Rio+20 e da Cúpula dos Povos significou que a chamada “economia verde” foi lançada como campanha de marketing internacional para credenciar com o nome “sustentável” o desenvolvimento do capitalismo na atual crise econômica mundial. A tentativa de alguns setores, que dirigiam a Cúpula, em modificar os compromissos e ações nas mesas de consulta e de negociação não deu nenhum resultado. Na própria dinâmica interna da Cúpula, ficou demonstrado que as mudanças relativas à exploração de recursos naturais e ao crescimento da barbárie na humanidade não podem ser definidas em mesas e salas de reuniões, no momento atual do capitalismo. O que resultou da Cúpula dos Povos foi a necessidade de se definirem planos de luta que unifiquem os processos de resistência social.
O segundo fato que norteia essa minha mudança de trabalho no blog foi a experiência da Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, São Paulo, e seu despejo violento que marcou as limitações da ideologia de Cidadania. Na Cúpula dos Povos, outro exemplo disso foi o não reconhecimento dos títulos de propriedade, dos direitos jurídicos dos povos indígenas da região do Xingu, relacionados à sua remoção.
O debate das limitações da ideologia dos direitos constitucionais versus as ações necessárias para a sustentabilidade dos mais pobres na sociedade capitalista ficou em aberto, principalmente quando surge a questão: desenvolvimento de quem? A resposta é que esse progresso pode significar o sacrifício de alguns, no caso particular os indígenas da região Xingu e os moradores de Pinheirinho.