E os ganhos nas áreas centrais “livres” de favelas são para a especulação imobiliária.
Por Omar Blanco
A prefeitura de São Paulo divulgou pela imprensa um analise que “construir unidade popular em área central é 14% mais barato que na periferia”1. Para não acreditar, mas é verdade, a prefeitura afirmou isso.
A força do argumento, fundado em analise de mercado de solo, procurou o aproveitamento máximo possível das infraestruturas. Sabendo que o valor do solo para construir é alto. Que além disso, essas infraestruturas atendam a população que menos capacidade de compra tem. Por exemplo, passagens de transporte, saúde, educação, entre outras.
A imprensa resume:
“O custo médio de uma unidade habitacional na região central é estimado em até R$ 112 mil, somando valor de aquisição do terreno e da construção da obra – o gasto se encerra nisso, uma vez que a região tem infraestrutura de pavimentação, saneamento básico, transporte, educação e cultura. Na periferia, o gasto apenas com aquisição e obras é de R$ 78,4 mil. Mas, quando todos os custos de serviço e melhorias são colocados no papel, o valor salta para R$ 128 mil.”
A Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) em São Paulo fez seu trabalho técnico, demostrou que moradia para os mais pobres é possível de se construir em áreas centrais. Aproveitando os denominados “vazios urbanos”, que não são outra coisa que terrenos, lotes ou prédios vagos em espera de incrementos de mais-valia urbana, onde pode ser realocada a população a “remover”, perto da área original, com os menores custos de readaptação dos vínculos pessoais, da vizinhança e solidariedade de redes das quais participavam algum tempo atrás.
A prefeitura do Rio realiza seu trabalho para beneficio dos que estão esperando que seus terrenos, lotes ou prédios vagos ganhem essa mais-valia urbana derivada dos menores custos de localização. E repassa os custos pela segregação aos moradores.
Não sou convicto de que a prefeitura de São Paulo seja melhor comparada com Rio. É uma avaliação que não entra nesta matéria. Mas é evidente que no Rio não beneficia aos mais pobres.
O documentário “Realengo, Aquele Desabafo !”2 revela de forma clara os custos repassados para os moradores. Este é um caso, de muitos outros.