Arco rodoviário metropolitano, Rio de Janeiro.
Por Omar Blanco
As obras de infraestrutura do tipo do “Arco rodoviário” são de grande porte e realizadas para habilitar quantidades maiores de solo rural e urbano e para facilitar funcionalmente a saída ou entrada de insumos e/ou produtos fabricados de uma região para outra. O arco rodoviário metropolitano na periferia da metrópole carioca é catalogado como uma obra civil estratégica, para o desenvolvimento industrial da região e do país. O governador do Estado do Rio de Janeiro, Cabral, apresentou o Plano estratégico do arco metropolitano, num evento que contou com apresentações das consultorias ligadas às secretarias do Estado para argumentar como as obras serão o novo marco do desenvolvimento.
A construção dessa estrada estadual, ou parte de sistema dela, estava apresentada como necessária desde 1974 e, no governo Lula (2006), ela foi inserida no planejamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Hoje, a rodovia conectará três subcentros ou polos industriais, um em Itaboraí, que é o complexo petroquímico COMPERJ; outro em Duque Caxias, que é o complexo petroquímico REDUC; e um terceiro em Itaguaí, que começou há pouco, o complexo siderúrgico onde estão localizadas a ThyssenKrupp CSA Companhia Siderúrgica do Atlântico e GERDAU. É desse desenvolvimento de que fala o governador do Rio. Esse Plano leva em consideração muitos outros temas, como desenvolvimento sustentável do território e do ambiente, ou desenvolvimento de infraestrutura urbana, mas o eixo é desenvolvimento da indústria.
Mas, o que é bom para os industriais e empresários ligados à indústria de construção não é necessariamente bom para as administrações municipais na periferia, e menos ainda para os mais pobres. Esse foro, acontecido no último 18 de abril, na FIRJAN, mostrou as falências do planejamento. Alguns funcionários públicos tomaram a palavra para expressar as preocupações por que não foram apresentadas soluções para os impactos que os estudos de consultoria assinalavam como consequência inevitável (expansão urbana). Outros expressaram a necessidade de um fundo especial do governo do Estado para construir as infraestruturas – não rodoviárias – como redes de água potável, redes de esgoto, redes de hospitais, para resolver o déficit que caracteriza a periferia da metrópole carioca desde décadas atrás.
Do “temor” dos funcionários públicos presentes ao evento, pode-se sintetizar o seguinte: de que não querem ser uma nova Duque de Caxias, pelo seguinte: mesmo sendo uma das cidades que mais arrecadam, tendo sua riqueza expressa pelo Produto Interno Bruto (PIB), que coloca a cidade entre as 10 primeiras no país. Contudo, isso não esconde o contraste: o ranking do município para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,753 no país e, no Rio, ocupa o 52º lugar entre 92 municípios.
Esse “temor”, bem fundamentado, é agravado pela falta de técnicos para revisar e modificar os Planos Diretores dos municípios e de organizar as ferramentas jurídicas – políticas que o Estatuto da Cidade anuncia para combater a especulação urbana e garantir o direito a moradia. A dificuldade é como conseguir que as instituições públicas regulem os fenômenos de especulação imobiliária em curso e consigam antecipar ou estar preparadas para a tendência de expansão urbana na periferia metropolitana sem os níveis de pobreza que hoje a caracterizam..
“Existe um atraso de 5 anos”, sublinhou uma funcionária na plateia, em relação à redução desse déficit atual de cada um dos municípios e deles em conjunto com toda a Região Metropolitana. Ela também considera difícil atender as demandas futuras, produto das consequências da expansão metropolitana.
Contudo, para os industriais e empresários com maior capacidade de investimento, esses 5 anos foram o tempo necessário para localizar suas sedes, usando a vantajem de antecipação de tempo, com relação a outras indústrias do mesmo tamanho, além das facilidades relacionadas à isenção de taxas nos municípios, onde se inseriam numa promessa de gerar quantidades de emprego local.
A descentralização administrativa, que garante autonomia das instituições hierarquicamente inferiores na administração dos diferentes poderes públicos, deixa, em alguns casos, grandes iniquidades, porque as tarefas para diminuir déficit, já existente, pioram consequentemente por causa de megaprojetos como o Arco Rodoviário Metropolitano. Nesses casos, quem paga o desenvolvimento de quem?
Fonte: Foro Arco metropolitano: um novo marco no desenvolvimento metropolitano. 18 de abril de 2011.
Imagem: Vazios urbanos, Arco metropolitano. Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Obras. Apresentação, Luiz Fernando Pezão. 18 de abril de 2011.



