Por Omar Blanco
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Acompanhando o processo da remoção na Comunidade do Metrô Mangueira, aparecem fatos que caracterizam a história urbana da cidade, que caracterizam a estrutura social da classe dominante, o setor financeiro e os agentes imobiliários e construtores. Sem menoscabo de outros setores burgueses – da indústria metal-mecânica, de exploração de petróleo e derivados, de produtos agropecuários e outros no estado do Rio – no município aparece o predomínio dos processos de “revitalização urbana”, vinculados a setores sociais nativos que têm como atividade principal a mais-valia do solo urbano. Isso explica por que a reurbanização da comunidade do Metrô Mangueira não é viável para a prefeitura. O solo urbano dos cariocas e fluminenses, antes que enquadrar num estado social de direito, segundo a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, é, sobretudo, um negócio que deve dar lucros para esse setor social dominante.

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O auto de interdição diz que existem indícios de risco…? Os riscos que eu conheço são os da piora na qualidade de vida dos moradores da comunidade. Por conta do aviso, o desassossego pela moradia em cada família aumentou. Além das precárias circunstâncias em que está a comunidade, a prefeitura só responde com remoção, invocando, desta vez “pra valer”, as leis da União Federal.
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Em 1921, foi arrasado o Morro do Castelo. Dessa vez, o risco era higiênico ou “odontológico”, “uma linda boca com o dente da frente cariado”, afirmou o prefeito Carlos Sampaio. O governo de então tirou o dente, mas, em compensação, sobreveio a febril atividade imobiliária que realizaria todas as obras da Exposição Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil, em 1922. A política de “revitalização urbana” de então criou solo com esse único propósito. Imagino que o aproveitamento da mais-valia urbana tenha sido alto. Uma grande remoção dos bairros populares em benefício dos setores financeiros e agentes imobiliário e construtores no começo do século XX.
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Depois de uma década de discussões sobre o Plano Diretor da cidade, ele é atualizado em 2011. A prefeitura começa a realização de parte do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), de 2004, e empreende a operação urbana Porto Maravilha. Engana-se quem pensa que o anterior significa planejamento do ponto da totalidade concreta da cidade e seus moradores. Não. O que ocorre é uma grande frente que tem consenso no legado urbano e ambiental, os lucros derivados da grande vitrina imobiliária “Rio2016” para os setores financeiros, imobiliários e construtores.
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O prefeito Eduardo Paes começou demolindo casas, barracos… Um bairro produzido pelo efeito do próprio descaso das prefeituras anteriores até a atual. Não que os moradores queiram morar nessas condições, o risco é: o crescente número de famílias que não tem moradia, que não conseguem adquiri-las com o pouco que arrecadam. E o risco cresce pelo desemprego e subemprego entre essa mesma população.
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A resistência em sair da moradia ou do bairro expressa uma resposta apenas normal contra uma prefeitura e secretaria de habitação que criminaliza os moradores. Ao contrario de propor regularização urbana do bairro e das moradias, de melhorar as condições de habitabilidade, tenta-se obrigar uma segregação dessas famílias para a periferia da Zona Oeste.
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Duas tendências de comportamento apresentam-se na resistência ao despejo: uma, a solidariedade e construção do consciente coletivo e outra, pelo contrario, fortalece o individualismo do tipo “farinha pouca, meu pirão primeiro”, falaram alguns dos moradores. Vivenciei na comunidade o predomínio da solidariedade.
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Particular inquietação nesta imagem: pichação da Secretaria municipal de habitação SMH ao lado de uma pichação de uma organização criminosa. Acredito que os técnicos da secretaria não agiram assim para complementar artisticamente a prática de escrever signos na parede.
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A violência na favela é real, a ponto de dar origem a produtos como este game, as comunidades ficam no fogo cruzado da pobreza e o despejo, além dos fogos cruzados, infelizmente naturalizados, de balas perdidas entre policiais e bandidos.
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Eduardo Paes e Bittar inimigos do povo!
Fontes: fotografias 02, 05 até 16 do autor.
Imagem 01 http://www.rio-negocios.com/pt/o-que-e-a-rio-negocios/nossas-atividades/
imagem 03 http://cafehistoria.ning.com/photo/morro-do-castelo/next?context=user
Imagem 04 https://terraypraxis.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/03/morro-do-castelo-3.jpg?w=300
imagem 15 captura de tela de modern warfare favela game.


















